Nesta segunda-feira, 29 de junho de 2009, Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Papa Bento XVI presidiu a Missa, na Basílica Vaticana, com 34 arcebispos metropolitanos, aos quais, durante a Santa Missa, impôs o pálio. Quatro deles eram brasileiros: do Rio de Janeiro (RJ), Dom Orani João Tempesta, de Teresina (PI), Dom Sérgio da Rocha; de Botucatu (SP), Dom Maurício Grotto de Camargo; de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira.

Como é tradição na Festa dos Santos Apóstolos, padroeiros da Cidade de Roma, estava presente na Santa Missa uma delegação do patriarcado ecumênico de Constantinopla.

Na homilia, comentando a Primeira Carta de São Pedro, Bento XVI destacou a riqueza do texto, que tem Cristo como figura central. Neste Ano Sacerdotal, questionou o Pontífice, o que São Pedro tem a dizer a respeito da tarefa do sacerdote?

Primeiramente, São Pedro concebe o ministério sacerdotal totalmente a partir de Cristo. Cristo é o “bispo das almas”, diz Pedro. Isso significa que Ele nos vê na perspectiva de Deus, vê os perigos, assim como as esperanças e as possibilidades.

Se Cristo é o bispo das almas, disse o Papa, o objetivo é evitar que a alma no homem se empobreça, é fazer com que o homem não perca a sua essência, a capacidade pela verdade e pelo amor. Fazer com que ele conheça Deus, que não se esmoreça em caminhos cegos, que não caia no isolamento, mas permaneça aberto a todos.

“Jesus, o ‘bispo das almas’, é o protótipo de todo ministério episcopal e sacerdotal. Ser bispo, ser sacerdote significa assumir a posição de Cristo. Pensar, ver e agir a partir de sua posição elevada. A partir Dele, estar à disposição dos homens, para que encontrem a vida”, declarou o Santo Padre.

Assim, a palavra “bispo” se aproxima muito ao termo “pastor”, aliás, os dois conceitos se tornam intercambiáveis. Pedro, em seu discurso aos presbíteros, evidencia ainda uma coisa importante: não basta falar. Os pastores devem ser “modelos do rebanho”. “A palavra de Deus é trazida do passado ao presente, quando é vivida. Isto significa ser pastor, modelo de rebanho: viver a Palavra agora, na grande comunidade da Santa Igreja”.

Comentando ainda a Primeira Carta de São Pedro, Bento XVI retomou outro conceito presente no texto: a fé cristã como esperança.

A fé cristã é uma esperança que possui razão, explicou o Pontífice. A fé não contradiz a razão, mas caminha a seu lado e, ao mesmo tempo, a conduz para a razão mais elevada de Deus. Como pastores, acrescentou o Papa, temos tarefa de não deixá-la permanecer simplesmente uma tradição, mas reconhecê-la como resposta às nossas perguntas. A fé exige a nossa participação racional, que se aprofunda e se purifica em uma partilha de amor.

Arcebispos na apresentação nominal ao Papa 

Todavia, advertiu, o pensar, sozinho, não basta. Assim como o falar, sozinho, não basta. Como afirma Pedro em sua carta, é preciso “provar” o Senhor.

“Além do pensar e do falar, necessitamos da experiência da fé, da relação vital com Jesus. A fé não deve permanecer teoria: deve ser vida. Se no Sacramento encontramos o Senhor, se na oração falamos com Ele, se nas decisões do cotidiano aderimos a Cristo, então ‘vemos’ sempre mais quanto Ele é bom. Desta certeza vivida, deriva a capacidade de comunicar a fé aos outros de modo acreditável”.

Por fim, Bento XVI ressaltou outro conceito contido na Carta de São Pedro: a salvação das almas. O Papa ressalvou que, no mundo da linguagem e do pensamento da atual cristandade, a palavra “alma” caiu em descrédito, seja por representar uma divisão do homem em espírito e físico, em alma e corpo, seja por indicar um cristianismo individualista, uma perda de responsabilidade perante o mundo no seu conjunto.

“Mas nada disso se encontra na Carta de São Pedro”, explicou o Pontífice. “Permanece verdadeiro que a falta de cuidado pelas almas, o empobrecimento do homem interior não destrói somente o indivíduo, mas ameaça o destino da humanidade no seu conjunto. São Pedro qualificou a verdadeira doença das almas como ignorância, ou seja, como falta de conhecimento de Deus. Quem não conhece Deus, quem pelo menos não O busca sinceramente, permanece fora da verdadeira vida”.

Bento XVI concluiu a homilia dirigindo-se aos arcebispos que receberam o pálio: “O pálio nos recorda o rebanho de Jesus Cristo, que vocês, caros irmãos, devem apascentar em comunhão com Pedro. O pálio nos recorda o próprio Cristo, que como Bom Pastor tomou a ovelha perdida, a humanidade, para levá-la de volta para casa. Nos recorda o fato de que Ele, o Pastor supremo, quis fazer, Ele mesmo, como ovelha, para responsabilizar-se do destino de todos nós”.

Após a homilia, o Papa entregou o pálio – a estola de lã branca com cruzes pretas, símbolo da união com o sucessor de Pedro – a 34 arcebispos metropolitanos de recente nomeação, provenientes de diversos países do mundo.